escoras-de-eucalipto-11
S. J
S. J
DJI_0125
DJI_0231
DJI_0232
DJI_0250

Líder global, Fibria volta ao rumo do crescimento
20/08/2013

Constituída em 2009, a partir da fusão de dois pesos-pesados da indústria de celulose de eucalipto, a Fibria herdou o título de maior produtora mundial da matéria prima e uma dívida líquida superior a R$ 13 bilhões. Quatro anos depois, com receita anual de R$ 6,2 bilhões e alguns bilhões de reais a menos de endividamento, a companhia, que uniu os ativos de Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz, virou a página das perdas financeiras, dos problemas herdados no processo de fusão e da integração das operações e já pensa em nova onda de crescimento. 

 

Com uma estratégia de gestão espartana, seguida à risca na busca do equilíbrio financeiro e da confiança dos investidores em suas ações, a Fibria bateu concorrentes de peso e tornou-se a campeã, pela primeira vez, do setor de papel e celulose do anuário "Valor 1000". Foi além: por seus desempenhos em vários critérios, foi escolhida a "Empresa do Ano" entre as 25 campeãs 

setoriais. 

 

 

 

O ano de 2014 promete marcar o início de uma nova fase na história da empresa, que tem fábricas no Brasil e exporta quase todo o volume produzido para os quatro cantos do mundo. É quando a direção da Fibria - avalizada por seus dois acionistas controladores, o grupo Votorantim e a BNDESPar - vai definir se parte para o crescimento via fusão ou aquisição, ou se duplica a moderna unidade de Três Lagoas (MS). Ou se vai lançar mão dos dois caminhos. 

Outro importante catalisador para a companhia será a reconquista do grau de investimento. E pelo que apontam analistas de mercado e agências de classificação de risco, a Fibria está perto de alcançá-lo, entre outras razões por causa da queda substancial na alavancagem financeira. 

No começo do ano, a Standard & Poors (S&P) elevou o rating da Fibria de ′BB/Positivo′ para ′BB ′ com perspectiva estável, colocando-a a apenas uma nota do grau de investimento. A Fitch, por sua vez, subiu a perspectiva do rating de ′BB /Estável′ para ′BB /Positivo′, num reconhecimento do êxito dos esforços empenhados pela administração para arrumar a casa e 

reduzir sensivelmente o endividamento, decorrente de perdas com derivativos cambiais da Aracruz e desembolsos para incorporação dessa empresa pela VCP. 

 

Hoje, a companhia opera quatro fábricas, com capacidade produtiva total de 5,3 milhões de toneladas por ano

 

Ao fim de junho deste ano, a dívida líquida da companhia correspondia a 3,3 vezes o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ante 7,2 vezes em setembro de 2009. Mas um levantamento com 13 instituições financeiras que acompanham a Fibria, obtido pelo Valor, indica que, em dezembro próximo, a alavancagem pode cair a 2,7 vezes - bem perto do nível necessário indicado pelas agências de rating.

 

"Vemos como ideal algo entre 2 vezes e 2,5 vezes, o que coincide com o modelo das agências", afirma o presidente da companhia, Marcelo Castelli. "Com o grau de investimento, temos mais possibilidades para opções estratégicas". Para o executivo, é possível recolocar em marcha os planos de crescimento engavetados durante quatro anos de austeridade, sem o risco de perder o ′investment grade′.

 

 

 

 

Hoje, a companhia opera quatro fábricas, com capacidade produtiva total de 5,3 milhões de toneladas por ano. São as unidades próprias de Três Lagoas, Aracruz (ES) e Jacareí (SP), mais a fatia de 50% na Veracel, joint venture com a sueco-finlandesa Stora Enso, no sul da Bahia. Três Lagoas e Veracel são destaques mundiais em custo caixa de produção da matéria-prima e, no conjunto da obra, a Fibria é reconhecida globalmente como um dos menores custos da indústria. Além da elevada qualidade do produto final, o que a tornou fornecedora de longo prazo de matéria-prima para gigantes como Procter & Gamble e Kimberly Clark. 

Ao nascer, a companhia ainda agregava ativos de papel. Mas o ajuste nas operações passou pelo foco absoluto nos negócios de celulose, com saída do mercado papeleiro. No fim de 2010, acertou a venda de sua participação de 50% no Consórcio Paulista de Papel e Celulose (Conpacel) para a rival Suzano Papel e Celulose, de quem era sócia no empreendimento. Na 

avaliação de acionistas e analistas, a decisão foi tomada na hora certa e permitiu a captura de valor, em um momento em que o mercado mundial de papel de imprimir e escrever já sentia o impacto negativo da digitalização.

 

Enquanto a Fibria arrumava a casa, porém, a indústria nacional de celulose ganhou musculatura. A concorrente Suzano anunciou duas novas fábricas - uma acabou congelada e a outra vai entrar em operação no quarto trimestre -, os chilenos da CMPC confirmaram a expansão da unidade de Guaíba (RS), que já pertenceu à antiga Aracruz, a Klabin anunciou um projeto inovador no Paraná e novos investidores descobriram o potencial das terras brasileiras para a produção da fibra de eucalipto. 

 

Foi o caso da J&F Investimentos, controladora da JBS, que lançou a Eldorado Brasil Celulose, em parceria com os fundos de pensão Petros e Funcef. A Eldorado, vizinha da Fibria em Três Lagoas, colocou em operação sua primeira fábrica no ano passado. O grupo GMR, originalmente de energia e engenharia, também voltou as atenções ao setor florestal e lançou a Braxcel Celulose, cuja unidade fabril, no Tocantins, pode chegar a mercado no fim de 2018. 

 

Para Castelli, o elevado número de novos projetos anunciados ou pretendidos pelo setor deve criar ambiente favorável a uma nova rodada de consolidação no médio prazo. E a Fibria quer participar ativamente desse movimento, que tem a preferência da administração como via de crescimento. "As combinações de negócio são sempre mais interessantese menos arriscadas", 

afirma. 

 

Ainda assim, a companhia manteve os aportes em plantio de eucalipto na região de Três Lagoas, caso se decida pela implantação da nova linha, de 1,5 milhão de toneladas por ano, com potencial início de operação em 2016 e investimento estimado em US$ 2 bilhões. Ao fim de junho, a base florestal da Fibria voltada à produção era de 627 mil hectares, de um total de 970 mil hectares, em seis Estados brasileiros, que inclui áreas de conservação ambiental. Disciplina financeira, captura de sinergias bilionárias - mais de R$ 5 bilhões a valor presente líquido até 2012 -, foco em pesquisa e desenvolvimento e aposta em profissionais "da casa" (o 

atual presidente da Fibria fez carreira na VCP) garantiram a guinada, na avaliação do presidente da Votorantim Industrial (VID), Raul Calfat, lembrando que a fusão entre VCP e Aracruz era cogitada desde os tempos em que a VCP entrou no capital da Aracruz, em 2001, adquirindo a parcela do grupo Mondi. 

 

A Votorantim Industrial é dona de 29,42% da Fibria, e controla a companhia por meio de acordo de acionistas com a BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que possui 30,38% das ações ordinárias. Até 29 de outubro de 2014, a VID tem a opção de comprar até 11,04% das ações da Fibria detidas pela BNDESPar, como rezam acordos de investimento e de acionistas. 

 

Segundo Calfat, que se envolveu desde a ideia da fusão até o nascimento da Fibria e hoje ocupa o cargo de vice-presidente do conselho de administração, não há decisão tomada sobre a opção de compra. "O BNDES costuma ser acionista de longo prazo em celulose e papel. Mas é vantajoso ter a seu favor a opção de compra", diz. Seja como for, a aposta da VID na Fibria é elevada e Calfat vê para a companhia "ganhos muito maiores no futuro" a partir de investimentos em inovação e foco em pesquisa e desenvolvimento. "Haverá uma grande transformação", adianta.

 

Tema sensível desde sua constituição, a estratégia de proteção cambial da Fibria ainda é alvo de questionamentos. Mas não de desconfiança, garante Castelli, com endosso do diretor financeiro 

e de relações com investidores da companhia, Guilherme Cavalcanti. "Tentamos comunicar da maneira mais clara possível a nossa política", afirma. A empresa assumiu uma estratégia de hedge denominada "Zero Cost Collar", que protege 40% de seu fluxo de caixa e combina opções de compra e venda de dólar.  

Raul Calfat (a esquerda), e Marcelo Castelli, presidente da Fibria: estratégia de gestão espartana ajudou empresa, que planeja nova onda de crescimento

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.179 • 6º Andar • Conjunto 61 • Jardins 01452-000 • São Paulo - SP

 Tel.: 55 11 3372 1234 • e-mail: contato@lacanflorestal.com.br

 

 © Lacan Florestal | Todos os Direitos Reservados