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Fibria vai definir expansão em MS em 2014

03/12/2013

 

Reportagem retirada do jornal Valor Econômico. 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

O investimento na linha, que inicialmente poderá fazer 1,75 milhão de toneladas anuais e elevará para mais de 7 milhões de toneladas a capacidade anual instalada total da Fibria, deve ficar abaixo de US$ 2,5 bilhões. "É preciso tomar uma decisão ao longo do primeiro semestre para que as ordens de compra dos equipamentos ocorram já em meados de 2014", disse Castelli. Ele está nos Estados Unidos para o terceiro "Fibria Day", encontro anual da direção da empresa com analistas e investidores que se realiza hoje na Bolsa de Nova York.

 

O futuro do projeto, contudo, está condicionado à possibilidade de uma nova rodada de consolidação da indústria de celulose no Brasil. A Fibria mantém a preferência pela eventual compra de uma concorrente e, segundo Castelli, "existe oportunidade" de fusão ou aquisição. "Os bancos de investimento estão ativos e demonstram que há conversas e análises em andamento", acrescentou ele.

 

A Fibria, há algum tempo, defende esse caminho como alternativa saudável de crescimento face aos inúmeros projetos de celulose anunciados no país para os próximos anos. Considerando-se apenas os empreendimentos em andamento - Suzano Papel e Celulose, Montes del Plata, CMPC Celulose Riograndense e Klabin - até 2016, vão chegar ao mercado quase 5 milhões de toneladas da matéria-prima. Esse volume se soma a 1,5 milhão de toneladas que a Eldorado Brasil lançou há um ano.

 

A conquista do grau de investimento também é pré-requisito para a execução do plano de crescimento. Em 15 de novembro, a Fibria acertou a venda de 210 mil hectares de terras para a Parkia Participações por R$ 1,4 bilhão à vista e R$ 250 milhões a serem pagos no prazo de 21 anos, com base em valorização das áreas. Os recursos serão usados para amortizar dívidas mais caras, como os bônus com vencimento em 2021 e 2022.

 

Com a recompra dos bonds, a Fibria deverá observar a redução da alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda para menos de 2,5 vezes, cumprindo uma das métricas indicadas pelas agências de classificação de risco para a obtenção da nota grau de investimento. No fim do terceiro trimestre, esse indicador (em real) estava em 3 vezes.

 

"É isso que vamos mostrar no 3º Fibria Day: que a empresa deixou a história da dívida para trás", afirmou o diretor de finanças e relações com investidores, Guilherme Cavalcanti. A expectativa é de que a liquidação financeira da operação ocorra até 30 de dezembro, pois a Fibria tem prejuízos acumulados que podem eliminar o pagamento de impostos sobre ganho de capital. Em outra frente, a empresa acaba de pagar pouco mais de R$ 390 milhões, com recursos do caixa, relativos à tributação de controladas no exterior, "eliminando" outra eventual fonte de incertezas. "Estamos com um balanço forte o suficiente para fazer escolhas", disse.

 

O modelo de negócio usado na venda de terras para a Parkia poderá ser repetido no futuro, segundo Castelli. A maior produtividade das florestas e o uso de novas tecnologias vão gradualmente liberar mais áreas, que poderão ser monetizadas. "Vamos esperar um pouco mais e prestar atenção aos planos de expansão [industrial]", disse o executivo. "Mas está claro que podemos manter a gestão da floresta sem necessariamente ter a propriedade das terras".

 

A Fibria informou que vai reajustar em US$ 20 os preços de referência da tonelada nos três mercados mundiais a partir de janeiro. Com o aumento, que será aplicado sobre as cotações fixadas em outubro, a tonelada da fibra curta será negociada a US$ 820 na Europa, US$ 870 na América do Norte e US$ 720 na Ásia.

 

De acordo com Castelli, a tendência é a de que o mercado permaneça forte no primeiro semestre de 2014, quando começa a chegar ao mercado o volume proveniente de novas fábricas de celulose. "A sensação geral é essa", afirmou. "A partir da entrada de novas capacidades, o mercado deve mostrar estresse", acrescentou. O mercado de celulose de fibra curta começou 2013 aquecido e os produtores anunciaram reajustes na primeira metade do ano, que foram parcialmente compensados pelo recuo sazonal das cotações no período de férias no Hemisfério Norte.

 

Já em relação à diversificação dos negócios, Castelli informou que a decisão sobre a implantação da primeira fábrica da joint venture da Fibria com a americana Ensyn, para produção de óleo combustível a partir de biomassa no Brasil, deve ser tomada no início do ano que vem. "O projeto pode ser encaminhado ao conselho até o fim do ano, com decisão em 2014", afirmou.

 

Conforme o executivo, os esforços estão voltados neste momento à elaboração de um projeto industrial que utilize o maior índice possível de conteúdo nacional. A companhia já definiu que a unidade fabril será instalada em Aracruz (ES), onde opera um complexo de produção de celulose.

 

A parceria entre Fibria e Ensyn foi anunciada no fim de 2012 e envolveu a compra de 6% do capital da companhia americana por US$ 20 milhões. O biocombustível da Ensyn, que detém tecnologia própria, pode ser usado em transportes e geração de energia.

Embora a consolidação da indústria siga como via preferencial de crescimento da Fibria, a maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto se prepara para submeter ao conselho de administração o projeto da segunda linha de produção em Três Lagoas (MS). Em entrevista ao Valor, o presidente da companhia, Marcelo Castelli, reiterou que os planos serão levados à aprovação "ao longo do primeiro semestre de 2014", para que a nova linha esteja apta a entrar em atividade no fim do terceiro trimestre ou início do quarto de 2016.